O turismo no Pantanal contribui sem dúvida alguma para o desenvolvimento econômico e social, por outro lado se as atividades no local não forem bem planejadas podem acarretar em diversos impactos negativos em níveis ambientais, comprometendo o funcionamento ecossistêmico e os serviços ambientais oferecidos no local. No dia 27 de outubro, em Corumbá-MS, o Centro de Pesquisas do Pantanal-CPP realizou, com a participação de atores sociais locais, a 6ª Oficina Capacidade de Suporte e Sustentabilidade do Turismo no Pantanal, relativa ao quinto componente do projeto Ciência e Sociedade no Pantanal: Integrando Conhecimentos para a Sustentabilidade Socioambiental.

O projeto é uma realização do CPP em parceria com o MCTIC – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul-UEMS e Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT. A professora Dra. Silvana Lucato, da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul-UEMS, coordenadora do projeto “Capacidade de Suporte e Sustentabilidade do Turismo no Pantanal, abriu a oficina. Ela destacou que há dois anos tem sido trabalhado o referido projeto com as comunidades pantaneiras do Mato Grosso (cidades de Poconé e Barão de Melgaço) e do Mato Grosso do Sul, Corumbá, incluindo-se a cidade e a Estrada Parque.

As oficinas realizadas no projeto são fundamentais para diagnóstico que vai contribuir com a construção de uma metodologia, baseada nas demandas da sociedade, voltada à capacidade de suporte. O turismólogo e pesquisador, Prof. Dr. Heros Santos Lobo, especialista na área, da Universidade Federal de São Carlos-UFSCar, que também atua como pesquisador convidado no Projeto, um dos facilitadores da oficina.
Dr. Heros fez uma explanação sobre a capacidade de suporte, termo originado da capacidade de carga, utilizado para projeção de cenários de fragilidades, visando a evolução no monitoramento de áreas protegidas, consideradas mais frágeis, e que necessitam ter o seu uso limitado em relação a visitação. O turismo de forma organizada na sua visão, atrai melhor investimentos e traz retorno social. Muitas questões precisam ser formuladas e respondidas antes da conclusão da metodologia, a exemplo: Quais os lugares que podem ser visitados e de que forma? O “Turismo de Base Comunitária” é uma alternativa viável para que as populações da planície também sejam beneficiadas pelo esperado aumento no fluxo de turistas?

A oficina contou com participantes de diversas instituições: O Senac, com integrantes do corpo técnico e alunos do curso de turismo; Fundação O Boticário, IPHAN, Instituto Homem Pantaneiro, Instituto Federal Mato Grosso do Sul, Associação de Pescadores, UFMS-Curso Geografia e Biologia, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Turismo. Eles foram divididos em quatro grupos e fizeram um levantamento dos aspectos que devem ser levados em consideração para a adoção de um sistema de Capacidade de Suporte e Sustentabilidade do Turismo no Pantanal, a exemplo de alguns aspectos relativos ao que é bom para a cidade (para os moradores), bom também aos turistas; o comportamento dos turistas e a interpretação ambiental como um componente fundamental para o bom funcionamento do processo de visitação.

A próxima oficina está prevista para ocorrer em novembro, na cidade de Barão de Melgaço. Também integram a equipe do projeto, pesquisadores: Edvaldo Moretti, da Universidade Federal da Grande Dourados-UFGD, Álvaro Banducci Jr, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Gizelle Prado da Silva Fonseca, da Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso-SEDUC, Angelo Franco Ribeiro, técnico da UFGD e Jaime Okamura, integrante do Skat – Associação Kuiabana dos Amigos do Turismo.

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